Resenha: A Menina Que Ouvia Demais


Editora: Multifoco
Autor: Maurício Kanno
Páginas: 181
Sinopse: Veja o que acontece quando uma personagem começa a ouvir o narrador da própria história, além de sonhar com seu futuro! A menina aqui não rouba livros, mas seu novo 'superpoder' vai dar muita dor de cabeça a ela e ao sério profissional contador de histórias... Descubra no que isso vai dar e como esses desvios da normalidade foram acontecer. Prepare-se para conhecer a dimensão da criação de histórias e passear cinematográfica e teatralmente pelo ponto de vista de diferentes personagens. E aproveite - escrevi e ilustrei esta história viajante e maluca com o objetivo principal de divertir o leitor, do jeitinho como eu queria ler um livro. Com muitos diálogos, parágrafos e capítulos curtos, acontecimentos fantásticos e absurdos, sem descrições que não acabam mais.
                                                                                                                                                                                                                                    A resenha de hoje é sobre mais um livro de um autor nacional. A Menina que Ouvia Demais, de Mauricio Kanno, é uma história única sobre uma personagem de um livro que começa a ouvir seu narrador – e a conversar com ele.
                Pessoalmente, eu adoro livros que tenham em si mesmos qualquer referência ao processo de se escrever, narrar, ler livros. A Menina que Ouvia Demais tem três “histórias”, que são alternadas em cada capítulo mas que depois vão se entrelaçando: a primeira mostra a “Dimensão da Criação Literária”, que é como se fosse um escritório onde os funcionários são responsáveis por criar – narrar, organizar, etc – literatura; a segunda mostra Isabel, uma pré-adolescente, com seus dramas do dia-a-dia, e, por último, uma velha senhora, com a qual Isabel sonha de vez em quando e que ela sente como se fosse ela mesma.
                Cada uma dessas três histórias vai se desenvolvendo ao longo do livro. Eu adorei, principalmente, os capítulos da Dimensão da Criação Literária: eles são simplesmente hilários. A ideia do Maurício das funções existentes nesse lugar, e das personagens ali presentes que são quase tão peculiares quanto todo o resto, me fez ficar desejando que um lugar desses fosse verdade. É impossível não rir com Bóris, o narrador da história de Isabel... que fica em apuros quando a garotinha começa a ouvir sua narração e, ainda pior, a falar com ele de volta.
                Eu achei a personagem da Isabel, quando pré-adolescente, um tanto quanto irritante. Acredito que esse fosse o propósito, afinal, quem na idade dela não deu um pouco de dor de cabeça? Mas o que me incomodou foi que, na maior parte do tempo, os capítulos dela pareciam mais do mesmo, então depois de um tempo começava a me cansar da leitura.
                Os capítulos sobre a velha senhora, no entanto, foram se tornando cada vez mais interessantes. Não vou entrar em detalhes para não dar spoiler, mas aos poucos você vai percebendo coisas que se relacionam com o que está acontecendo nos capítulos de Bóris e Isabel, e é extremamente divertido acompanhar esse quebra-cabeça que vai fazendo sentido.
                Algumas vezes, a escrita e a alternância de personagem me deixaram um pouco confusa e demorava um pouco para eu entender quem era o foco no momento. Os diálogos entre Bóris e Isabel, principalmente, eram difíceis de entender, misturando partes da narração do Bóris com os pensamentos e as falas do mesmo.
                No geral, esses detalhes não foram altamente prejudiciais para a leitura. Do meio do livro para o final, os acontecimentos vão se tornando cada vez mais loucos e frenéticos, e é impossível não dar risada das trapalhadas dos personagens da Dimensão de Criação Literária. A Menina Que Ouvia Demais foi um livro rápido de se ler, divertido, com uma ideia bastante original e que certamente agradaria o público juvenil.

Classificação Final:


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Quem escreve

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Thais Pampado. 20 anos. Escritora e estudante de Produção Editorial. Apaixonada por livros e por escrever. Lê praticamente qualquer gênero, mas tem uma paixão especial por fantasia e YA.
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